Lubrificante nacional ou importado: existe diferença na qualidade?
Se você já comprou um lubrificante para seu carro ou moto, provavelmente passou por uma situação parecida. Ao olhar o rótulo, percebeu que um produto era importado e outro era fabricado no Brasil. Em seguida, surgiu a dúvida:
"Será que o importado é melhor?"
Essa é uma das perguntas mais frequentes entre motoristas e motociclistas. E ela ficou ainda mais comum nos últimos anos, à medida que marcas globais passaram a produzir parte de seus produtos em diferentes países.
Mas será que o país de fabricação realmente determina a qualidade de um lubrificante?
A resposta curta é: não.
Na prática, a qualidade de um lubrificante depende de fatores muito mais importantes do que o endereço da fábrica. Formulação, homologações, tecnologia utilizada, controle de qualidade e desenvolvimento técnico são os verdadeiros responsáveis pelo desempenho do produto.
Neste artigo, vamos esclarecer os principais mitos sobre lubrificantes produzidos no Brasil, entender o que diz a legislação brasileira e explicar por que um produto nacional pode oferecer o mesmo padrão de qualidade de um importado.
Nem todo produto Motul vem da França e isso é completamente normal
A Motul é uma empresa global com mais de 170 anos de história e presença em mais de 160 países.
Ao longo dessa trajetória, a marca construiu uma estrutura internacional composta por centros de pesquisa e desenvolvimento, e unidades produtivas distribuídas estrategicamente pelo mundo.
Isso significa que nem todos os produtos comercializados no Brasil são fabricados na França.
Dependendo da linha, é possível encontrar produtos produzidos na França, Alemanha, Itália ou no próprio Brasil.
Mas existe um detalhe fundamental que muitas pessoas desconhecem: o local de fabricação não define a fórmula.
Toda formulação passa por processos rigorosos de desenvolvimento, validação e aprovação seguindo os padrões globais da marca. Isso garante que o produto entregue o desempenho esperado independentemente do país onde foi produzido.
Além disso, a produção local permite adaptar determinados produtos às características do mercado brasileiro, incluindo combustíveis, condições climáticas e formas de utilização dos veículos.
Então por que algumas linhas são produzidas no Brasil?
A resposta envolve logística, eficiência e proximidade com o mercado.
Assim como acontece na indústria automotiva, diversas marcas globais utilizam parceiros industriais locais para produzir determinados produtos.
Esse modelo é amplamente utilizado em setores como:
- Automóveis;
- Motocicletas;
- Autopeças;
- Componentes industriais;
- Lubrificantes.
No caso da Motul, os processos produtivos, equipamentos, controles de qualidade e especificações técnicas passam por validação para garantir que os produtos mantenham o padrão exigido pela marca.
Em outras palavras, o fato de um produto ser fabricado no Brasil não significa que ele tenha sido desenvolvido localmente sem critérios globais.
O maior mito do mercado
Se você acompanha o meio, possivelmente já escutou a frase "lubrificantes produzidos no Brasil são obrigados a usar óleo reciclado".
Provavelmente esse é o boato mais difundido dentro do mercado de lubrificantes. E também um dos mais incorretos.
Muitas pessoas acreditam que qualquer lubrificante produzido no Brasil precisa obrigatoriamente utilizar óleo básico proveniente de rerrefino.
Mas a legislação brasileira não diz isso. Na verdade, ela trata de um tema completamente diferente.
O que a legislação brasileira realmente exige?
A regulamentação do descarte e da destinação dos lubrificantes usados é definida pelo CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente).
Segundo a Resolução CONAMA nº 362/2005, posteriormente alterada pela Resolução nº 450/2012, fabricantes e importadores de lubrificantes têm a responsabilidade de garantir a coleta e a destinação adequada do óleo lubrificante usado ou contaminado (OLUC).
Isso significa que:
- Empresas que fabricam no Brasil possuem essa obrigação;
- Empresas que apenas importam também possuem essa obrigação.
Ou seja, a regra é exatamente a mesma para ambos os casos.
O objetivo da legislação é garantir que o óleo usado tenha uma destinação ambientalmente adequada, evitando contaminações e impactos ao meio ambiente.
O que a legislação determina é a coleta e a destinação correta do óleo usado, e o rerrefino é o processo adequado e reconhecido pelo CONAMA para este tratamento.
Ela não obriga nenhuma empresa a reutilizar esse óleo em novos produtos.
O que é OLUC?
OLUC é a sigla para Óleo Lubrificante Usado ou Contaminado.
Após cumprir sua função dentro do motor, o lubrificante perde parte de suas propriedades e precisa ser substituído.
Esse óleo retirado durante a troca deve ser coletado e encaminhado para processos adequados de tratamento.
É justamente aí que entra o conceito de economia circular aplicado ao setor de lubrificantes.
O que é rerrefino?
O rerrefino é um processo industrial que permite recuperar o óleo básico presente no lubrificante usado.
Durante o processo de rerrefino, o óleo lubrificante usado passa por diversas etapas industriais, incluindo a separação de contaminantes, remoção de água e de hidrocarbonetos leves, destilação a vácuo, hidrotratamento e purificação, resultando na obtenção de um óleo básico de elevada qualidade, apto a receber um novo pacote de aditivos para a formulação de um novo lubrificante.
Esse processo é considerado uma das formas mais sustentáveis de destinação do óleo usado.
Óleo rerrefinado é inferior?
Não necessariamente. Esse é outro mito muito comum.
Durante muitos anos existiu a percepção de que um óleo básico rerrefinado seria automaticamente inferior a um óleo básico virgem.
Hoje, a realidade é diferente.
Os processos modernos de rerrefino permitem atingir níveis elevados de pureza, estabilidade e desempenho.
Por isso, o desempenho de um lubrificante não depende apenas da origem do óleo básico.
Ele depende de uma combinação de fatores, incluindo:
- Qualidade do óleo básico;
- Tecnologia utilizada;
- Pacote de aditivos;
- Controle de produção;
- Homologações e testes.
A classificação do óleo básico como virgem ou rerrefinado, por si só, não determina sua qualidade ou desempenho. Assim como existem óleos básicos virgens de diferentes níveis de qualidade, também existem óleos básicos rerrefinados de diferentes níveis de desempenho. O resultado final depende da qualidade do óleo básico empregado, da tecnologia do processo de produção e da formulação completa do lubrificante.
O que realmente define a qualidade de um lubrificante?
Essa talvez seja a pergunta mais importante até aqui. Ao escolher um lubrificante, os critérios que realmente merecem atenção são:
Normas standard internacionais
Classificações como:
- API;
- ILSAC;
- ACEA;
- JASO
são referências muito mais relevantes do que o país de fabricação.
Leia também: Normas e especificações para lubrificantes
Homologações das montadoras
As montadoras submetem os lubrificantes a testes extremamente rigorosos.
Quando um produto recebe uma homologação OEM, isso significa que ele foi aprovado para atender requisitos específicos de desempenho.
Sustentabilidade e desempenho podem andar juntos
Durante muito tempo, sustentabilidade e alta performance pareciam conceitos incompatíveis.
Hoje isso mudou.
A evolução tecnológica permitiu o desenvolvimento de soluções que combinam proteção avançada com menor impacto ambiental.
Um exemplo é a linha NGEN 5 e NGEN 7 da Motul, alternativas sustentáveis às consolidadas linhas 5100 e 7100 para motocicletas 4T. As linhas NGEN 5 e NGEN 7 foram desenvolvidas para oferecer desempenho elevado utilizando tecnologias voltadas à redução do impacto ambiental sem comprometer a proteção do motor.
Isso mostra que a discussão atual do mercado já não é mais sobre "nacional ou importado".
A conversa evoluiu para: como desenvolver lubrificantes cada vez mais eficientes, sustentáveis e adequados às novas exigências dos motores modernos.
Então, afinal: nacional ou importado?
Se existe uma conclusão importante para tirar deste assunto, é esta:
O país onde um lubrificante é produzido não determina sua qualidade.
O que realmente importa é:
- Como ele foi desenvolvido;
- Quais tecnologias utiliza;
- Quais homologações possui;
- Quais testes foi capaz de superar.
Um produto fabricado no Brasil pode entregar exatamente o mesmo padrão de qualidade esperado de uma marca global quando segue os mesmos processos, controles e requisitos técnicos.
Por isso, na próxima vez que você olhar para a embalagem de um lubrificante, vale lembrar que a pergunta mais importante não é onde ele foi produzido, mas se ele atende às especificações exigidas pelo seu motor.
Essa é a resposta que realmente faz diferença para a proteção, o desempenho e a durabilidade do veículo.
Principais dúvidas sobre lubrificantes nacionais e importados
Lubrificante produzido no Brasil é inferior ao importado?
Não. A qualidade depende da formulação, homologações, controle de qualidade e tecnologia utilizada, e não apenas do país de fabricação.
A legislação brasileira obriga o uso de óleo rerrefinado?
Não. A legislação exige a coleta e destinação adequada do óleo usado, mas não obriga a utilização de óleo rerrefinado em novos produtos.
O que é óleo rerrefinado?
É um óleo básico obtido por meio do processamento e recuperação de óleo lubrificante usado ou contaminado.
Óleo rerrefinado tem qualidade inferior?
Não necessariamente. Com tecnologias modernas de rerrefino, é possível obter níveis elevados de pureza e desempenho, iguais ou até superiores à alguns básicos virgens.
Como avaliar a qualidade de um lubrificante?
Observe homologações das montadoras, normas internacionais, especificações técnicas e recomendações do fabricante do veículo.